Como fazer a diferença na vida das pessoas

por nov 3, 2020Blog0 Comentários

Uma das características mais maravilhosas que Deus concedeu ao ser humano ao cria-lo é ser relacional. Fomos criados a partir de um relacionamento – primeiramente de Deus com Adão e em seguida com Eva, e mais recentemente, de nossos pais.

Relacionamentos são assim: de uma parceria entre pessoas surgem frutos. E quanto melhor a qualidade da relação, quanto mais saudável for, melhores frutos irá gerar. Você já tinha pensado nisso?

Os relacionamentos que você tem em sua vida podem gerar frutos de diversas naturezas: alegrias, companheirismo, afeto, confronto que faz crescer, desenvolvimento, amadurecimento. E o que acontece quando o fruto amadurece? Ele é capaz de… gerar novos frutos. Esta é a beleza do relacionamento saudável e da multiplicação.

Que tal fazer isso com intencionalidade? Que tal estabelecer relacionamentos intencionalmente saudáveis e frutíferos, para que você e as pessoas a sua volta experimentem de crescimento, mutualidade e amadurecimento enquanto se relacionam?

Se você quer influenciar positivamente pessoas e deixar a vida de Cristo transbordar de você para elas, acompanhe este artigo que preparamos para você!

 

O que é um relacionamento intencional?

 

É quando você escolhe uma pessoa a quem deseja dedicar algum tempo para acompanhar a jornada e servi-la com o intuito intencional de que se desenvolva – seja emocionalmente, espiritualmente, academicamente, ou na necessidade que ela tem e você tem condições de ajudar.

Um relacionamento intencional implica em ações das mais simples às mais complexas, como aconselhar, desafiar, abraçar, apoiar, escutar, conversar, encorajar, estar presente, e por aí vai.

Sabe quem fazia isso com muita facilidade? Jesus. Ele se importava com as pessoas por onde passava e, sempre que possível, estreitava seu relacionamento com elas para gerar vida em suas vidas.

 

Por que estabelecer um relacionamento intencional?

 

Diversos textos na Bíblia nos ensinam que somos um só corpo (por exemplo, 1 Coríntios 12, Romanos 12, Efésios 4:1-7). Para que este corpo funcione bem, todas as partes devem estar bem ajustadas e produzindo vida umas nas outras. Isso quer dizer que a vida de uma parte depende da vida de outra. Afinal, para que um rim permaneça vivo e realizando suas funções, é indispensável que o restante do corpo irrigue, dê os nutrientes necessários, dê o suporte físico para que permaneça onde precisa estar, e assim por diante. Se uma parte falhar com o rim, com certeza o rim falhará com o corpo – não por revanche, mas por fragilização e limitação causadas pelo próprio corpo.

Estabelecer relacionamentos intencionais é dedicar ao “rim” aquilo que lhe é necessário para que cumpra suas funções e faça a sua parte para manter o corpo saudável.

Trazendo de órgãos para relacionamentos, quando nos dedicamos às pessoas, estamos sendo coparticipantes de sua saúde e da nossa própria. Estamos dizendo a ele ou a ela “Eu me importo com você”, “conte comigo para estar bem” e “conto com você para que eu esteja bem” – “vamos juntos?”.

É totalmente diferente da lógica individualista e utilitarista da cultura presente. O individualismo prega o “eu primeiro, cada um por si, não me atrapalhe” e o utilitarismo, “só dou quando recebo algo em troca, não é justo dar mais do que receber, o que vou ganhar com isso?”. Consegue identificar falas assim ao seu redor?

Esta é uma lógica anti-Reino, e se não formos intencionais em caminhar na direção oposta, viveremos (ou já estamos vivendo?) as consequências catastróficas que minam os relacionamentos, levam as pessoas ao afastamento emocional e afetivo e adoece a sociedade.

É necessário que cuidemos intencionalmente uns dos outros para que todos funcionemos bem. Você tem um papel importante, uma vocação recebida de Deus para não se conformar com este mundo, deixá-lo transformar sua mente (Romanos 12:2) e ser sal e luz (Mateus 5:13-16) onde estiver.

Voltemos à pergunta inicial: Por que é importante estabelecer um relacionamento intencional?

Com certeza, você tem a resposta. Veja: pensando em sua própria jornada, houve alguém que se dedicou de forma intencional a você?

  • Se sim, como foi? Por que foi importante? Que frutos esta pessoa deixou em sua vida?
  • Se não teve esta experiência, como teria sido se tivesse tido? O que você poderia ter aprendido que fez falta saber? Que tipo de afeto teria experimentado?

Você foi feito para cuidar da criação de Deus! Cuide de pessoas, ande com elas, invista seu tempo e sua atenção naqueles a sua volta e seja uma referência de Cristo em suas vidas!

 

A pessoa perfeita para um relacionamento intencional

 

Certo, está claro que você pode e deve estabelecer relacionamentos intencionais. Mas com quem vai fazer isso? Deve se dedicar a todos ou escolher a dedo?

A resposta é nem uma situação nem outra. Você não será capaz de ser intencional com todas as pessoas pois isso exige dedicação e dispensar seus dons, energia, tempo – e em alguns casos, até finanças. Sim, fazer um “almoço intencional” ou um presente de aniversário, tudo isso pode compor sua intencionalidade com a pessoa.

Então você precisa escolher com quem vai estabelecer este relacionamento, qual a abrangência de sua ajuda e por quanto tempo vai se dedicar com intencionalidade. Vamos olhar isso mais de perto:

 

Com quem estabelecer um relacionamento intencional?

Se você está orando para que surja uma pessoa perfeita saiba que ela não existe. Todas as pessoas têm por natureza o Pecado e suas limitações. Então baixe suas expectativas e lembre que não são os sãos que precisam de médicos, mas os doentes.

A ou as pessoas com quem você vai ser intencional já estão a sua volta. Se você ainda não as enxergou, olhe com mais atenção e carinho e peça que Deus te mostre quem pode ser.

 

Qual a abrangência de sua ajuda?

Esta é uma questão muito importante para considerar. Dependendo da trajetória da pessoa, dificuldades emocionais, perfil etc., você pode ser o suporte perfeito para acompanha-la. Por outro lado, pode ser que você tenha dificuldades com a pessoa e precise estabelecer qual o limite de sua atuação.

Veja algumas perguntas para se fazer antes de definir:

  • Quero caminhar com esta pessoa?
  • Qual o tipo de ajuda ou desenvolvimento a pessoa precisa?
  • Sei encontrar na Bíblia orientações para esta situação?
  • Tenho o preparo emocional e ferramentas para esta situação?
  • Onde posso me capacitar para desenvolvê-la?
  • Até onde estou disposto/tenho condições de ajudar e quando indicar outro tipo de suporte?

 

Dois fatores são cruciais de sua parte para que este relacionamento seja bem sucedido: clareza e humildade. Clareza sobre si mesmo e como quer/pode lidar com a situação e humildade para reconhecer como pode e como não pode ser útil para a pessoa.

Sempre que necessário, oriente-a a pedir ajuda a outras pessoas e mantenha sempre Deus na direção da caminhada.

 

Por quanto tempo vai se dedicar com intencionalidade?

O tempo pode variar significativamente conforme a situação, a pessoa e a ajuda que você está disposto a oferecer.

Acredite: uma conversa com o motorista de Uber em seu trajeto pode ser suficiente para leva-lo a um crescimento (com a necessidade e oportunidade adequadas, claro)! Jesus mesmo viveu diversos episódios curtos, mas intencionais, de desenvolvimento de pessoas e com pouco tempo Ele as ajudou a pensar, encorajou, desafiou e gerou vida.

Outras situações e pessoas, no entanto, precisarão de mais tempo. Semanas, meses, até anos. Responder às perguntas do tópico anterior vão te ajudar a ter uma previsão de tempo e a responder se está ou não disposto a embarcar na aventura.

 

Quais são os tipos de relacionamentos intencionais?

 

Relacionamentos intencionais podem acontecer em qualquer contexto e ambiente. Basta ter uma pessoa que queria investir na outra, e outra que queira receber este privilégio.
Mas para facilitar que você identifique por onde começar, vamos descrever algumas possibilidades:

  • Em família:

Seu papel familiar, independente de qual seja, é estratégico para fortalecer sua família. Pais, avós e tios são responsáveis pela formação, desenvolvimento e transmissão de sabedoria aos mais jovens. Existem também casos em que os jovens são mais maduros emocional e espiritualmente do que os mais velhos. Sem problema – se este é o seu caso, dedique-se aos que precisam de crescimento.

  • Coaching Cristão/Desenvolvimento de pessoas:

É um relacionamento focado e estruturado para ajudar o outro a dar passos concretos em direção aonde precisa chegar. Os assuntos passam pelo autoconhecimento, conhecimento da vocação, aprimoramento dos talentos, desenvolvimento do equilíbrio entre as áreas da vida, superar suas barreiras, inteligência emocional, entre outros. É comum o uso de ferramentas e técnicas que estruturam a conversa e geram reflexões profundas e autonomia. Se quiser ficar expert nesse tipo de relacionamento, conheça o nosso curso Fundamentos do Coaching Cristão.

  • Discipulado:

Trata-se de uma caminhada focada especialmente no amadurecimento espiritual do discípulo de Jesus, sempre em vistas que ele frutifique. Neste tipo de relacionamento intencional, você o ajudará a estabelecer um relacionamento íntimo com Deus, ensinando as bases da fé aplicadas à vida prática. É muito comum escutarmos uma definição bem emblemática e verdadeira: discipulado é vida na vida. A propósito, discipulado não é opção ao cristão, hein – é ordem do Senhor Jesus (Mateus 28:19-20).

  • Aconselhamento e mentoria:

É um relacionamento comum quando a pessoa está enfrentando algum desafio, problema ou não tem experiência sobre como lidar com alguma situação. Nestes casos, você ajuda a pessoa a pensar, compartilha sua experiência sobre possíveis caminhos para solucionar ou a encontrar referências que inspirem a resolver a situação.

  • Amizades intencionais

A diferença de uma amizade comum é que a amizade intencional não acontece simplesmente para a convivência agradável, mas para o crescimento do outro. Você se coloca intencionalmente como alguém que se importa e está à disposição do outro para ajudá-lo em seus desafios.

  • Liderança intencional

O líder intencional vai além das tarefas e resultados organizacionais. Ele se importa de verdade com o crescimento pessoal e profissional/ministerial do liderado.

Reflita sobre os lugares que você frequenta e identifique qual o melhor tipo de relacionamento estabelecer.

 

Por onde começar?

 

Da mesma forma que os “tipos”, o “onde” depende única e exclusivamente de se ter pessoas com desejo de crescimento. Veja algumas possibilidades por onde você pode começar:

 

  • Trabalho:

Sabe aquele colega em que você vê potencial de crescimento? Invista nele! Ajude-o a desenvolver suas habilidades para que chegue à excelência. Lembra da mentoria? Pode ser muito útil nesse caso.

 

  • Igreja:

Pensa num lugar cheio de pessoas buscando mudanças! Pois você pode ser alguém que caminha com o outro na busca do crescimento espiritual e emocional. Que tal discipular, mentorear ou estabelecer amizades intencionais com algumas pessoas?

 

  • Lar:

Que tal pensarem juntos em como podem edificar uns aos outros mutuamente? Pais transmitindo sabedoria e valorizando a expertise dos mais jovens. Os mais jovens levando alegria e ajudando os mais experientes a manterem-se atualizados. O valor das relações intencionais intergerações pode ser dos mais ricos que as pessoas podem experimentar!

 

  • Vizinhos:

Jesus se relacionava com todas as pessoas, inclusive, com aquelas que Ele não conhecia. Com a correria do dia a dia, talvez você não tenha percebido que ao seu lado tem uma pessoa esperando por alguém que a abençoe, gere vida, paz e saúde na vida dela. Que tal puxar assunto e começar uma amizade intencional?

 

  • Situações de influência:

Você é daqueles que as pessoas sempre buscam conselhos, contam seus segredos, procuram quando estão com desafios? Receba-as com cada vez mais excelência, seja uma referência de quem sabe acolher e desenvolver outros. Para isso, pode valer a pena buscar capacitação e ferramentas para estar preparado na próxima vez.

 

 

Como ser intencional nos relacionamentos

 

Você já está praticamente um expert em como estabelecer relacionamentos intencionais, mas pode ser que uma pergunta esteja passando pela sua mente agora: “O que fazer quando estiver frente a frente com a pessoa?”

A resposta não é tão difícil. Você sabia que uma das principais características dos relacionamentos intencionais é a conexão?

Pois é. E nesta parte final do artigo, conheça dicas bem práticas sobre como criar esta conexão nas suas próximas conversas intencionais:

 

  1. CONVERSE INTENCIONALMENTE: Faça com que suas conversas sejam genuínas. Dedique atenção exclusiva. Seja autêntico e inspire a outra pessoa a ser ela mesma.

 

  1. FAÇA PERGUNTAS: Quando você pergunta, você coloca a pessoa em primeiro plano e abre espaço para se conectar com o que ela tem a oferecer. Prefira escutar mais do que falar. Um bom termômetro é se você falar por mais de 3 minutos seguidos, chegou a hora de deixar o outro falar.

 

  1. ESCUTE COM COMPAIXÃO: Para se conectar com alguém é preciso escutar – e escutar com compaixão – o que ele diz até o final, sem interromper. Enquanto escuta, procure compreender as motivações, crenças, dores e sonhos. Você vai ver como haverá um salto na qualidade da conversa!

 

  1. MOSTRE EMPATIA: Coloque-se no lugar da outra pessoa. Isso permite que você se aproxime afetivamente e veja a partir das lentes dela. Temos um artigo completinho com tudo o que você precisa para desenvolver sua empatia. Para ler, clique aqui.

 

  1. UTILIZE TÉCNICAS DE COACHING CRISTÃO: Um aliado excepcional para criar conexão nas conversas são as técnicas e ferramentas do Coaching Cristão. Elas ajudam a estruturar as conversas, levar o outro a pensar por conta própria, treinar sua escuta e fazer perguntas que geram movimento. O Instituto Resonare oferece o curso de Fundamentos de Coaching Cristão, que te equipa para aplicar os princípios do coaching cristão em suas conversas de desenvolvimento. Para conhecer o curso, clique aqui.

 

Anne Frank, uma adolescente judia que sofreu durante o holocausto, escreveu em seu famoso diário: “Como seria maravilhoso se ninguém precisasse esperar um momento sequer antes de começar a melhorar o mundo.” Você e eu não temos que esperar. Nós temos a liberdade e o privilégio de mudar nosso entorno com a luz de Cristo, de contribuir com o desenvolvimento das pessoas e sermos sal e luz por onde passamos.

Não espere “aquele” momento certo para fazer a diferença, que talvez nunca aconteça. O momento certo é o hoje, a pessoa certa para desenvolver é você e as pessoas certas para serem desenvolvidas são aquelas que Jesus colocou ao seu lado.
Siga os passos de Jesus e seja intencional com as pessoas a sua volta!

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